[Resenha] "Para Viver um Grande Amor: Crônicas e Poemas" de Vinicius de Moraes

Amor. Palavra que gerou todas as coisas.

De tão bela muitos se inspiraram nela e escreveram milhares de outras palavras; alguns morreram por ela. De tão forte que é alguns nunca se permitiram sentir, outros tiveram medo por a mesma não ter um significado preciso, apenas suposições.


“Para Viver um Grande Amor: Crônicas e Poemas” (Companhia das Letras, 1991), de Vinicius de Moraes, retrata o amor pela vida, pela “Bem-Amada”, à poesia, à música, o amor de amigos, amor à profissão, ao olhar do Cronista.


Não sou um conhecedor da obra de Vinicius de Moraes, tanto é que este se consagrou como o primeiro livro que eu apreciei do autor, e verdadeiramente não será o último.

Vinicius de Moraes revelou, com excelência, a maestria de escrever e retratar o cotidiano em sua obra, com uma linguagem direta, envolvente... Sem deixar que a mesma torna-se menos lírica e trabalhada.

“Para viver um grande amor” é considerado o primeiro livro em prosa do autor, sendo que, o livro alterna poesias e crônicas escolhidas pelo próprio Vinicius de Moraes para serem publicadas. Analisando como um todo, percebi uma evolução, talvez intencional, nos temas e profundidade dos mesmos, e da própria linguagem o que agradará leitores iniciantes aos mais experientes.

O livro começa com uma exortação ao exercício da crônica. Certa vez um “escritor universitário” elogiou escritores que procuravam iniciar as suas obras com aquela frase, que te surpreende; Vinicius nos traz a seguinte Frase: “Escrever prosa é uma arte ingrata”. Para amantes da escrita e da leitura em prosa, como eu, tal frase é uma surpresa e uma revelação.

A partir de então começa a alternância de poesia e crônicas.

As poesias são de infinita grandeza, por mais simples e curtas que sejam algumas, todas tem um alto grau de significados, nunca verás o mesmo significado duas vezes. Como se estuda na Teoria Literária: contém uma linguagem carregada de signos multivocos.

Destaco algumas que, particularmente, emocionaram e me fizeram refletir, e mais: deram-me motivos para me aventurar cada vez mais no mundo da poesia. São elas: “O Poeta aprendiz”, “Carta aos puros”, “O Poeta”, “O Verbo no infinito” e “O Poeta e a Rosa”, na qual tomo a liberdade de apresenta-la logo abaixo:

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A Crônica é uma paixão antiga, e para aqueles que ainda não buscaram também se aventurar no âmbito da crônica, aconselho a buscar este livro.

Crônicas, não importa de que época seja sempre vamos encontrar vestígios da atualidade em cada uma delas. Tomo por exemplo às crônicas “Separação” e “Namorados Públicos”, que foram escritas por Vinicius de Moraes entre os anos de 1957-1960, e lendo hoje são tão atuais quando naquela época. Ambas retratam o namoro nas praças, o jeito de namorar, o amor platônico, a sociedade... Em “Namorados Públicos” o autor chega a pedir à sociedade uma “Trégua aos namorados”.

Aos estudantes de letras há neste livro abordagens úteis ao estudo da crônica e da poesia. A Crônica “Sobre Poesia” nos faz refletir (falo aqui, também como estudante de letras) e nos leva a uma possível definição do que é a poesia. Vinicius definiu o poeta como ‘estruturador de línguas’ e logo de ‘civilizações’

E não se pode esquecer se mencionar a crônica que dar nome ao livro. A crônica “Para viver um grande amor”, na minha singela opinião, é uma das mais lindas definições de amor já escrita, e traz verdadeiros ensinamentos, para alguns parecerá óbvio, mas são lindos e concretos. Dizer, por exemplo, que ‘não existe amor sem fieldade’, que para viver um grande amor prefeito ‘não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito – peito de remador’, são fatos inquestionáveis.

Ao final desta edição de 1991, da editora Companhia das letras, o livro traz crônicas inéditas do autor.


Um livro sempre terá um significado diferente para cada leitor, logo, para mim terminar de ler este livro é guardar na lembrança momentos incríveis de leitura no meu quarto, no ônibus, em um hospital, e acompanhado da pessoa que me apresentou esta obra. Eis aqui um livro que vale a pena ler e reler, além de se apaixonar pela poesia, pela crônica e no meu caso querer mais da obra de Vinicius de Moraes.


"Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor." (Vinicius de Moraes)

 Por Jônatas Amaral

Jônatas Amaral

Sou Jônatas Amaral, 22 anos. Paraense, Brasileiro. Formado em Letras - Língua Portuguesa. Um sonhador por natureza.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O "para mim" baixou a credibilidade de suas palavras no texto, Jônatas, corrija-o por favor.

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