"Os 13 Porquês" de Jay Asher: Meu olhar sobre a importância desta obra.



Existem excelentes "porquês" para que você dedique tempo na leitura de "Os 13 Porquês" do autor norte-americano Jay Asher. O seu livro de estreia foi aclamado pelos principais setores de comunicação, além de render uma série da Netflix. Se você assim como eu assistiu primeiro a série, muito do suspense que o autor tenta criar não vai funcionar muito bem, porém você irá encontrar uma obra mais coesa e até mais coerente, na medida em que você terá informações advindas da série que poderão lhe ajudar a entender as entrelinhas desta história.

Fugindo um pouco das sinopses, afinal você já deve saber do que se trata esta história. Certo? Caso não, confira AQUI! Desta forma, prossigamos. Tratar de um tema tão tabu quanto suicídio não é fácil para ninguém, por mais bem intencionado que o autor seja. Por mais pesquisa que este se proponha a realizar. "Thirteen Reasons Why" não é o primeiro nem será o último livro a tratar sobre o tema, mas com toda certeza será um daqueles livros que uma geração vai lembrar com mais intensidade. Afinal, tanto o livro quanto a série são construídos de tal forma que te marca, seja pela reflexões, seja pelos temas, seja pelas cenas tão terríveis, porém reais. Um dos fatores mais interessantes deste livro é sua capacidade de saber deixar detalhes e cenas implícitas. As cenas de violência sexual, por exemplo, presentes no livro não são suavizadas, porém não são descritas. Isso é um detalhe que torna a obra inteligente, pois ela não sugere, ela deixa a informação adentrar no consciente do leitor de forma mais sutil. O acontecimento não deixa de ser forte ou menos real, ele só não é tão chocante para uma criança ou adolescente que possa ler a obra. Faz pensar, não aterrorizar.

A história por si só já é incômoda o suficiente, já que o personagem principal não pode fazer absolutamente nada para mudar. Não é uma questão de escute rápido, pois você ainda pode salvá-la. Não. Já aconteceu. Ela está contando as causas. Se você estivesse na pele do Clay provavelmente não saberia como agir. Um das coisas que mais me agradaram e incomodaram na escrita do autor quanto a isto foi a escolha de intercalar a fala de Hannah com os pensamentos e reações do Clay as fitas. No inicio é incômodo, mas com o tempo você se acostuma e entende. É algo também que pode forçar o leitor a ler mais atentamente, ainda que eu acredite que faltou em alguns momentos mais sensibilidade para essas inserções do Clay.

Muito já se escreveu sobre esta história ao longo deste ano, mas o que de fato sinto por esta obra é um apreço que já está além do âmbito emocional, mas permeia a responsabilidade e importância social que este livro possui, afinal para professores, como eu, este é um livro que abre perspectivas de diálogo com adolescentes (principalmente) não só sobre o suicídio em si, mas sobre machismo, bullying, violência sexual, além da importância da auto-estima e de sabermos com quem contar.


Acredito, aos meus 22 anos, professor, que o personagem contido na fita 13 - Sr. Porter - é o personagem sob o qual meus olhos mais se voltam, pois com ele eu me enxergo/identifico. Sou professor e almejo, também, ser orientador educacional. O que eu faria diante daquela situação? Como eu lidaria? O que eu faria? Entenda, são situações que você nunca vai saber exatamente como agir, mas que você não pode fingir que não pode fazer nada. A culpa que muitas vezes Hannah atribui aos destinatários de suas gravações está em dizer que estes precisam mudar, afinal não havia mais como ajudá-la. É algo pesado, não é mesmo? Complexo. Difícil até escrever sobre. Mas deixo aqui estas reflexões que me recaíram durante a leitura desta obra.

Por fim, gostaria de destacar o penúltimo capítulo que retrata o suicídio em si de Hannah Baker. A única coisa que se sabe é que a personagem usou de remédios para realizar seu intento. O capítulo em si não descreve absolutamente nada. É um capítulo em que você apenas observa o Clay ouvindo um chiado constante, até que, bem no final, temos a última fala de Hannah Baker, que é tocante e sensível. Assim como o final da história que mostra o que mudou em Clay depois daquela noite. Esta é a beleza e importância desta história. Nos fazer refletir sobre o que pensamos sobre as pessoas e o quanto nós, como seres sociais , temos impacto nas vidas um dos outros. Se permita refletir com este livro através das mensagens explicitas e, principalmente, as implícitas contidas nele.

Obrigado. 

Por Jônatas Amaral

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OS OLHOS DIZEM...


Costumeiramente ele se olhava no espelho. Houve o tempo em que se achava magro demais, com ombros largos demais e com um rosto meio estranho, sem falar de um cabelo liso escorrido que o fazia parecer estranho. Houve outro tempo em que ele se olhava ao acordar e amava seu porte físico meio atlético fora de forma, mas na medida certa. Além desse, houve o tempo em que só se achava um garoto charmoso e legal.

Hoje o tempo é outro e tudo que ele consegue ver são os olhos vermelhos envoltos pelas pálpebras que se dividem numa tonalidade meio escura, negra, cinza talvez. Ele não entende. Ele só queria ver aqueles olhos castanhos brilhando naturalmente e não o brilho das lágrimas pesadas. Queria ver os olhos sorrindo do jeito que sempre foram. Queria ver o olhar travesso, gentil e um tanto inocente que sempre teve. Não aquele olhar de cansaço, tristeza e de alguém que precisa de abraços.

A sua esperança é o céu. 

Sua esperança é de que seja só mais um tempo que logo passará. Afinal, a vida não é feita de fases? E as fases não passam?

"Talvez", pensa ele, "tenha sido as minhas escolhas que levaram a me encarar de uma forma pouco orgulhosa na frente do espelho." Parece loucura, pois ele ama o que faz, ama o que estudou, ama o que estuda, se envolve demais, ajuda demais, faz demais, ama demais... No fundo quem escolhe não sentir, sente mais que o dobro. Na maioria dos casos, os olhos dizem um pouco mais da metade do que precisamos saber sobre o que as pessoas sentem, contudo não aprendemos a ler o olhar das pessoas. Aprendemos apenas a olhar e não se importar. Aprendemos a olhar para o lado, para um ponto cego nos rostos das pessoas. Aprendemos ainda menos a olhar nos nossos olhos e nos enxergar neles.

Por J. A. 

TEMPESTUOSO


Anda em linha reta e dobra. Volta à linha reta e faz a curva. Outra linha reta e repete o caminho. Do nada para o lugar nenhum. Ele caminha para esfriar a cabeça e não soltar os berros presos na garganta dolorida. O lugar não permite. O tomariam por um louco.

Tenta puxar assunto, mas se sente compelido a sair. Não quer ser chato ou um tranbolho de lorotas sem sentido como sempre.

Dentro dele existe uma tempestade acontecendo recheada de raios e trovões, raios tão profundos que nem Zeus, se existisse, conseguiria produzir com tanta veemência. A tempestade é intensa como se Zeus e Poseidon tivessem apostado quem conseguiria destruir tudo primeiro.

Ele se acomoda na cadeira, enfim, mas suas pernas não param quietas. Ele daria tudo para sair dali e só ficar ao lado de alguém olhando para as estrelas. Sem falar nada. Não quer está só, mas sua agitação o leva a solidão. Alguém tão calmo por fora e tão tempestuoso por dentro. O seu único desejo naquele momento é o equilíbrio das forças que regem seu interior.

Seu coração chora. Ele já chorou mais do que o necessário. Já chorou por coisas que não devia e agora chora por motivos desconhecidos. Afinal, o que acontece com a alma para que ela, às vezes, esteja tão agitada?

Hiperativo diante de uma vida que está indo rápido demais, parece que nem estamos vivendo...

Por que?

O que está acontecendo?

Ele, então, escreve. Escreve para tirar de si qualquer coisa que o possa consumir. O arrepio o alcança e de novo e de novo e de novo e de novo e de novo e de novo... Diante das tempestades, chorar parece mais fácil. 


Por Jônatas Amaral

[BEDA #03] 3 coisas para pensar antes de aceitar fazer o BEDA e uma mudança necessária!

RESPIRA!!!
Há uma semana eu anunciava com toda a felicidade e determinação do mundo que havia aceitado me desafiar a fazer o BEDA aqui no blog. Persistir com determinação nos primeiros dois dias, contudo o mês de agosto me reservou algumas surpresas logo de cara e novos desafios foram postos à mesa. Desta forma, com tantos desafios, em tão pouco tempo, alguns teriam que ser sacrificados. Produzir 31 posts, um por dia, seria algo que não caberia em meio a tantas novidades. Além disso, fazer as coisas de qualquer jeito não seria justo com este espaço que amo tanto, nem com você que me ler. Não gosto de fazê-lo perder tempo.

Desta forma, o BEDA (Blog Every Day August) passar ser HALF BEDA. Qual a diferença? "Half" é metade de um inteiro, logo ao invés de 31 postagens, haverá 16 postagens ao longo deste mês. Serão todos posts especiais e que espero ser de grande valia para tornar seu dia mais enriquecedor.

Jônatas, isso é desafiador? Sim! Talvez você nunca tenha percebido: nunca, NUNCA, houve mais de 10 postagens por mês por aqui e esse mês iremos bater essa marca. Para você não dizer que esse post não vale já que só estou fazendo até aqui um comunicado, listo abaixo 3 coisas para pensar antes de aceitar fazer o BEDA:

1- Se programar com antecedência.


Viu todo mundo entrando na onda do BEDA? Achou legal? Ótimo! Pegue um caderninho e veja como você irá fazer esta loucura. Se chegar a conclusão de que você não vai conseguir, deixe para o próximo. Não aceite o desafio de supetão e saia anunciando para seus leitores. Se programe, pois não adianta fazer algo de mal jeito e oferecer conteúdo sem graça e irrelevante.

2- Ter posts pré-estabelecidos e quase prontos


O desafio consiste em justamente fazer posts variados ao longo de 30 dias. Encontrar 30 ideias legais para postar todos os dias já é difícil e você não vai conseguir fazer isso de um dia pro outro ou no mesmo dia. É possível? É. Desde que você não faça mais nada além disso. Sejamos loucos, mas com os pés no chão. 

Crie alguns posts com antecedência e comece a escrevê-los. Ter pelo menos uma semana de posts adiantados já é uma ótima frente. Fique ligado!

3- Entrar para um grupo


Grupos como o Interative-se é excelente para te motivar a não desistir e, também, para lhe oferecer ideias para os 30 dias ou para os 15 dias. É divertido e você ainda sabe que poderá ter uma interação constante com um bom grupo de pessoas.

Por fim, me comprometo a postar mais 13 posts até o dia 31 de agosto! E seu comentário é de grande ajuda! Let's go!


Confira os primeiros posts:


[BEDA #02] "P.s. Eu te amo": Escolha... Viver.

 

Muitas vezes coisas inesperadas acontecem e mudam a nossa vida, reviram-na de cabeça pra baixo, tira de nós o nosso porto seguro nos levando para  o alto mar ou para seio desconhecido de uma floresta de pedra. Quando perdemos alguém, o vazio que sentimos é tão profundo e incomensurável. O luto é um estado de alma e nesse estado múltiplos sentimentos nos envolvem. Nunca sabemos como lidar e ainda que vivamos tal fato inúmeras vezes nunca nos acostumamos ou saberemos como lidar.

É assim que eu imagino o luto. Nunca perdi alguém muito próximo para a morte, mas já perdi muitas pessoas na vida. Alguns amigos e alguns amores. É difícil saber que aquelas pessoas existiram e não estão mais do seu lado de alguma forma. Como lidamos com isso depende da forma que aconteceu, da nossa força, mas sempre é algo triste, estressante no mínimo.

Eu entendo, em parte, o que a Holly sente nesse livro chamado "P.s. Eu te amo". Entendo que é difícil se ver perdida numa vida que ainda está na metade. E os filhos que ela não teve como amor da sua vida? E os momentos que não viveria mais com amor da sua vida? A vida segue e não queremos que ela siga em frente. Ela vê seus amigos construindo famílias, tendo filhos, reencontrando o amor. Fico pensando o que aconteceria com ela se Gerry não tivesse deixado algumas cartas para ela? Como ela se reergueria? 

Holly me parece inteligente e muito capaz, mas extremamente dependente, talvez, das pessoas a sua volta. Não a considero nem um pouco egoísta. Mas, ela precisava de algo para se reeguer. Eu queria saber mais de como era a vida dela com o Gerry, como seria sua vida com ele. Mas, eu não posso. Não tenho como.

BEDA
DUBLIN, Irlanda.
Cecelia Ahern através dessa história me levou para uma viagem bem humorada, melancólica, dramática e divertida com alguns personagens que parecem meus amigos de tão próximos que eu fiquei deles. Eu queria ser amigo Sharon e da Denise, sair pra curtir com o Tom e com o Daniel. Faz tempo que um livro não me aproxima tanto de alguns personagens. Fora os lugares que eu visitei com esse livro. É a primeira vez que vou a Irlanda e quero ir lá mais vezes. Será que o Diva Club existe? Quero voltar àquele lugar.

Se eu tivesse um jardim eu convidaria o Richard para cuidar dele. 

Eu poderia ser puramente crítico. Você olha o título do blog e pensa: "Nossa, esse texto é muito pessoal para um blog que se autointitula 'Alma Crítica'". Bobagem. A crítica também é um estado de espírito; olhar algo de forma crítica é olhar, também, com o coração. Sem dúvida esse foi um livro que tocou meu coração e que ficará na minha memória pelo seu humor, pelo bem que me fez.

Às vezes me sinto como a Holly: perdido, querendo que as pessoas entendam o quanto algumas coisas são difíceis para mim no momento, tentando se reerguer e parecer forte, mas me sentindo frágil e confuso por dentro. Tento encontrar algum trabalho que eu realmente goste e que me dê alegria. Nossa, trabalhar onde a Holly trabalha seria incrível! 

Dizem que comédias românticas romantizam tudo, bom, elas são comédias românticas é o que elas provavelmente devem fazer, porém por conta disso as pessoas as tomam por meras histórias imbecis e inverossímeis com a realidade. Olha, talvez se nós romantizássemos um pouco mais a vida, passaríamos a olhar para ela de uma forma mais bonita. A vida não é um filme do Christophen Nolan e também não é um filme de Terrence Malick, muito menos não é um filme de Tarantino. A vida é uma mistura de coisas, a vida também é uma comédia romântica.

Eu espero que se você ler esse livro ele te emocione tanto quanto a mim, não no sentido de chorar até as últimas lágrimas, mas no sentido de te fazer olhar para a vida de forma mais otimista, mais seriamente; com a certeza de que nunca estaremos sozinhos. Ler esse livro me ajudou na fase em que vivo e me inspirou a seguir. Façamos como a Holly: no fim de tudo escolheu, por um tempo indeterminado, simplesmente... viver.

Por Jônatas Amaral

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