[PLAYLIST] O Meu 2017 em 12 músicas: uma retrospectiva



2017

Posso dizer com total certeza do mundo que este foi o ano mais dificíl que já vivi. Foi um ano com experiências e momentos inesquecíveis e muito esperados, melhores do que o esperado. Um ano muitas vitórias.

Da mesma forma foi uma ano de mudanças e muitas tristezas. Foi um ano em que pela primeira vez eu sentir minhas bases completas quase caírem por completo. Foi um ano de novos começos e de muitos fins.

Quando eu parei para pensar em tudo em que eu vivi este ano algumas músicas vieram a minha mente e que de alguma certa forma traduzem o que eu aprendi, o que eu sentir ou mesmo foram trilha sonoras de momentos importantes dessa história.

Someone in the Crowd - La La Land


Eu poderia dizer que o inicio do ano foi mágico! A trilha sonora de 'La La Land' por inteiro me acompanhou ao longo de quase três meses. Foi a primeira vez em que assisti mais de 50% dos filmes indicados ao Oscar. Tudo misturado a preparação do meu Trabalho de Conclusão de Curso que só ficou pronto faltando uma semana para o prazo final. Contudo, a canção "Someone in the Crowd" continua sendo aquela que se tornou parte da trilha sonora da minha vida, seja por sua letra que afirma que estamos prontos para ser encontrados por alguém na multidão, seja pela sua melodia que tanto me incentivou a me manter feliz e confiante. 

O TCC foi excelente e como fico feliz de lembrar desses momentos de conquista!


US - REGINA SPEKTOR


É uma música linda que me faz lembrar de um Abril inesquecível de muitas lembranças que ficaram guardadas apenas em minha memória. Nunca poderão ser escritas ou narradas. Existem memórias que são assim. Essa canção inspirou uma das histórias mais lindas que já escrevi. Ela esteve presente na minha ida ao cinema ou pequenas idas e vindas de carro. É um suspiro romântico antes do inicio das batalhas.


Youth - Daughter


Eu conheci essa canção em um momento muito oportuno. A conheci por meio da comoção em torno da série "13 Reasons Why" que por sinal foi um daqueles outros momentos de preparação para batalha. Assisti a série com um amigo, mas a canção eu escutei sozinho. A escutei muitas vezes durante os meses que se seguiram. Principalmente no mês de Maio.

Maio. O mês que tudo mudou. Talvez o mês mais difícil a minha vida. Todos nós teremos momentos em que estaremos completamente abatidos e sem forças. Querendo desistir de tudo. Sem chão. Sem saber o que fazer. Sem querer ouvir ninguém, mas ao mesmo tempo querer o máximo de pessoas que ama perto de você.

Maio foi um mês em que eu disse a mim mesmo: Não dá mais pra continuar assim! A ilusão me levou por caminhos que me matariam. O que fazer? As vezes, vamos ter ajuda para sair da profundidade dos poços, mas temos que lembrar que, as vezes, nós causamos as quedas e cabe a nós decidir ficar no chão ou levantar.

Malibu - Miley Cyrus // Something Just Like This - Coldplay & The Chainsmokers 


Então, chegamos a Junho. As coisas haviam se acalmado, mas dentro de mim e até hoje elas continuam um pouco embaralhadas. Contudo, Junho me trouxe alguns detalhes inesperados.

Fazer outra graduação? Mesmo tendo acabado de terminar uma? Parece loucura. Até hoje parece. Mas eu aceitei e escolhi por mim mesmo, quase solitariamente, aceitar este novo desafio.

Não seria fácil, eu precisei abrir mão de muitas coisas que eu poderia fazer. Assumi uma responsabilidade diante de muitas pessoas.


Naquele novo lugar, vislumbrei algumas pessoas que começariam se tornar importantes nos meses seguintes, de alguma forma. E eu não estava procurando pessoas com super poderes, mas relembrei que elas existem.

Eu nunca fui um super herói, mas decidi que eu precisava ser quem eu era. Eu sou aquilo que a Liberdade diz que eu sou.

Foi então que Julho chegou!


WE ARE THE CHAMPIONS - Glee Cast


03 de Julho de 2017.

A minha maior vitória em quatro anos. Uma das minhas maiores conquistas. Um dos melhores dias: O dia da minha formatura.

Eu não tenho palavras para descrever esse dia. Chega eu me emociono só de lembrar. A canção "We are the Champions" descreve um pouco do meu sentimento! Estava todo mundo ali. Meus amigos, minha família, amigos antigos e novos! Minha célula!

Fui o orador da turma. Um sonho conquistado!


Só quero ver você - Laura Souguelis e Felipe Hitzschky 



Porém, Julho ainda reservava muitas coisas.

Perdemos uma pessoa muito querida. Perdemos um amigo. Mas, temos a certeza que ele está ao lado do Pai. O Maicon foi alguém muito importante para muitas pessoas. E até para aqueles que nem eram tão íntimos dele. Ele foi importante pela sua alegria, determinação e amizade. Ele nunca será esquecido por todos aqueles que o conheceram.

Em Julho, eu fui em uma mesma semana da alegria incrível para tristeza e para alegria e para tristeza em algo que eu nunca vivi. Mas, me abriu a mente para dizer: Eu preciso confiar em Deus. Porque em todos os momentos eu podia senti-lo agindo. Eu precisava, com muito mais força, aprender a confiar. Foi o momento em que eu percebi que tudo o que eu mais precisava era ver a Deus.

Eu não imaginei que essa canção se tornaria um lema, uma oração para tantos a minha volta. Em Outubro, ela se tornou a música chave do maior evento da minha igreja: O Retiro de Jovens. O soar dessa música ecoou por muitos e muitos dias. E essa oração tem sido, a cada dia que passa, mais forte e mais real na minha vida e na vida das pessoas a minha volta.


MILLION REASONS - Lady Gaga


Voltando um pouco ao mês de agosto. Essa música se tornou parte da minha trilha sonora por muitos motivos.

Cada amizade é única e são construídas de formas distintas. Nunca sabemos onde ela vai dar. Mas podemos sentir que naquele momento elas se tornam importantes por nos ajudarem a ver coisas dentro de nós que não sabíamos ver ou não conseguíamos alcançar.  Não irei citar nomes, mas cito as iniciais. Obrigado A.V. por muitas coisas, mas principalmente pela sinceridade, pela sua amizade e por me apresentar a essa canção.


O Tempo -  Preto no Branco


Quando eu voltei do retiro, ali no final de outubro, essa canção foi lançada. Ela se tornou um oração na minha boca. Porque ela dizia a mim que tudo estava mudando. Reafirmando que eu precisava confiar no tempo de Deus. Não podia meter os pés pelas mãos. Em Novembro, tive mais um baque, mas nunca foi tão bom ver uma resposta de oração ser respondida tão rapidamente e de forma tão clara. E ouvir aquela voz que soa dentro de nós dizendo: Espera e Confia.

Se somos nós que causamos muitas de nossas quedas, precisamos aprender a andar de outro jeito.

TANTO FAZ - Priscila Alcantara



E foi nesse mesmo contexto que "Tanto Faz" se fez presente. Porque ela dizia algo que eu não conseguia exprimir em palavras: "Nada mais importa, porque você preenche o meu ser. Nada mais importa, porque você foi a melhor porta que me abriu".

Eu vou dizer para você: de todas as propostas que eu tive, Viver na presença de Deus sempre foi a melhor de Todas. Ele sempre esteve comigo mesmo naqueles momentos de maio, naqueles momentos de julho, naqueles momentos de novembro de 2017. Em todos os momentos.

This is me - The Greatest Showman


E, finalmente, chegamos a dezembro. Foi quando eu assistir ao filme "O Rei do Show" e escutei esta canção que reflete o que está dentro de mim. Todos nós temos um momento em que precisamos nos encontrar dentro de nós mesmos, de nos ajeitar, de deixar nosso coração ser lapidado e passar a amar o que nós somos aqui dentro. A Liberdade me chamou de canto e disse assim: Não deixe ninguém te dizer quem você é, você é o que você ver em mim. Por isso, preparem-se porque eu venho marchando no meu ritmo, não vou ter medo de ser visto. Sou corajoso, um tanto machucado, eu sou assim. Mas quando as palavras afiadas quiserem me alcançar, eu vou afoga-las. This is me.

Bonecos de Plástico - Palankin



Essa então é a última canção. Aquela que une todas. "Bonecos de Plástico" é a canção que diz tudo e que resume o meu ano de 2017  e que diz o que quero para 2018 e para a toda a vida. Foram coisas que eu pensei, coisas que eu sentir, coisas que decidir expostas em uma música que me impactou profundamente.

2018 chega em algumas horas. E sou muito agradecido a Deus pelo ano de 2017 por mais difícil que tenha sido, afinal todos nós precisamos de desertos. 2017 me ensinou em profundidade a aprender a confiar, a valorizar amizades, a entender o outro, a valorizar os momentos e viver um pouco mais.

Por Jônatas Amaral


[GOLDEN GLOBE 2018] "O REI DO SHOW' (The Greatest Showman, 2017)


Que fique claro:  eu amo musicais! É um gênero pouco realista e escapista. A música é fundamental para o desenrolar da história; os personagens se expressam por meio de canções. Nem sempre isso se torna orgânico e agradável, mas você reconhece um bom musical quando você é imerso naquela história por meio dessas canções. É um bom musical quando a música avança a história. “O Rei do Show” é um bom musical que merece ser visto no cinema. É um espetáculo visual e auditivo, não inovador, mas eficiente para lhe oferecer aquilo que talvez precisamos de vez em quando: emoção, sorrisos, amizade e uma boa ilusão.

“The Greastest Showmen” ou “O Rei do Show” narra a história de Barnum considerado um dos Pais do Circo Moderno. Depois de perder o emprego, Barnum decide colocar em prática seus sonhos de infância e criar o ‘ShowBusiness’. Através de métodos questionáveis diante da lei ele consegue um empréstimo e abre um grande espetáculo de... curiosidades? De humanos diferentes? E com um pouco de malandragem, imaginação e um tanto de orgulho começa uma jornada de ascensão social que irá lhe trazer benefícios, mas também muitos erros e perdas.


A cena de abertura é impactante e já dá ao expectador o tom do filme: imaginativo, vivo, dançante e emocionante! É como um convite para vislumbrar um espetáculo. A própria composição dos planos do filme lhe dará a sensação de está na platéia daquele anfiteatro assistindo histórias de erros e acertos de um personagem questionável, a história de amor de um burguês com uma trapezista, a força de uma esposa e os sonhos de suas filhas, o nascimento de uma família entre pessoas que viviam escondidas.

Barnum (Hugh Jackman) e Charity (Michelle Williams)
Os números musicais são belos e pop. As canções são fáceis de se aprender, muito parecido com as composições do badalado “La La Land”, afinal são os mesmos compositores. Quatro canções se destacam: “The Greastest Show”, “Never Enough”, “Rewrite the stars”, mas o grande destaque é “This is me”. Ela carrega uma mensagem válida e que guardamos no coração ao final da exibição. É uma música de empoderamento inserida em um momento muito forte do filme em que temos renegação, onde aqueles seres humanos são tratados como objetos, apenas como atrações.

 Esse é um tema que é pincelado pelo filme inteiro, mas suavizado até por conta do público que o filme quer alcançar.  Na verdade, vários temas são suavizados pelo roteiro, mas é justificável até determinado ponto já que o filme não quer ser ‘pesado’. Ele quer te mostrar que isso acontecia, mas ser leve no tratamento deste temas, ou seja, não é um filme biográfico que tem um pé na realidade. É fantasioso, é bem familiar, mas não deixa de ser forte e emocionante. Você entende o drama daqueles personagens, pelo menos os que têm certa voz no roteiro. Esse talvez seja um problema, as “atrações” são bem coadjuvantes, logo nem todos possuem uma voz forte e que mostre suas personalidades, com exceções de Anne (Zendaya), Lettie (Keala Seattle) e Tom (Sam Humphrey).

Jenny Lind (Rebecca Fergurson)
Zac Efron e Zendaya possuem um bom número musical que visualmente é incrível de ver. Hugh Jackman é sensacional em musicais e nesse continua tão bom quanto. Michelle Williams está muito bem e mostra delicadeza e força em cena. Agora, Rebecca Ferguson com sua Jenny Lind protagoniza uma das cenas em que o cinema inteiro parou para escutar, pairou um silêncio arrebatador na sessão onde eu estava. O roteiro cria uma expectativa para essa cena que é muito bem realizada e emocionante quando acontece. Você tem que assistir.

Por fim, não é o melhor musical já feito. Muito menos o mais inovador. Mas, é um dos mais bonitos que eu já vi. É alegre e envolvente. Ele não deixa de mostrar os defeitos dos personagens. Barnum era um trapaceiro e você pode questionar se ele era um sujeito bem intencionado em muitos momentos, já que ele utilizava do preconceito das pessoas e de falsas ilusões para ganhar dinheiro, em determinado momento seu orgulho chega a falar mais alto. Acontece que o roteiro te leva para um lado menos escuro da realidade e te oferece um escape da sua realidade, ao mesmo tempo que te faz pensar por alguns minutos sobre o quanto não devemos depreciar as pessoas, mas sim valorizar as diferenças. O próprio personagem passa por essas quedas devido o seu comportamento e trato das pessoas. Um musical tem essa capacidade de nos levar para um espetáculo imaginativo e nos manter ao mesmo tempo na nossa dura realidade.  


Anne (Zendaya) e Phillip (Zac Efron)
Por esses e muitos outros motivos, eu indico você aproveitar esse filme no cinema, mas quando ele sair de cartaz assista e reassista novamente. O filme foi indicado a 3 Golden Globes na categorias de Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Ator (Hugh Jackman) e Melhor Canção Original ('This is me'). É um espetáculo que você não pode perder. 



Por Jônatas Amaral

EXTRAORDINÁRIO


O que faz algo ser extraordinário? Como medir o valor de alguém?

R.J. Palacio publicou um livro que mudou muita coisa no meu interior. Quando ela me apresentou Auggie Pullman através do livro "Extraordinário", aprendi o valor da gentileza e aprendi o quanto é precioso quando damos valor a cada pessoa. Acima de tudo aprendi com "Extraordinário" que somos incríveis por sermos tão diferentes e somos fortes por sermos tão iguais.

Existem três frases que me impactaram profundamente ao lê-las e ao encará-las novamente, este ano, nas telas do cinema. Gostaria de escrever sobre essas três frases e espero que possamos dialogar sobre elas e tirá-las do papel, tornando-as uma realidade.


FRASE 01 

Como um garoto cristão aprendi, desde cedo, que o Espirito Santo é capaz de produzir em nós algo poderoso: a gentileza. Ser gentil está longe de ser alguém facilmente manipulável. Ser gentil não é ser 'besta' como dizem por ai. Ser gentil não é deixar as pessoas passarem por cima de você, nem deixar que elas o manipulem com dramas falaciosos. 

Ser gentil é encarar o outro como igual e diferente. Ser gentil é se importa na medida certa. Ser gentil é permanecer do lado de alguém mesmo quando este está de mal humor. Ser gentil é escutar e não tratar mal por tratar mal. 

As vezes ferimos muito alguém através das nossas palavras. Queremos ter resposta pra tudo. Queremos ser os melhores nas ironias ou nas tiradas sarcásticas. Muitas vezes louvamos aqueles que nunca se deixam sair por baixo em uma discussão e que são capazes de dizer as piores coisas para simplesmente mostrar... sabe-se o lá o que... Louvamos a falta de gentileza. Isso é horrível.

A meu ver essa frase fala sobre nos importar com as pessoas e nos aconselha a prestar atenção as coisas que falamos e fazemos. Todos nós estamos enfrentando uma guerra que, muitas vezes, ninguém sabe. Por isso seja gentil. Não custa nada se importar com o que as pessoas sentem. Pergunte se está tudo bem, pergunte se 'dormiu bem', pergunte se 'chegou bem', pergunte se 'teve um bom dia', mas com sinceridade e preste atenção no que as pessoas dizem. Algumas pessoas vão mentir, mas pelo menos você mostrou para elas que têm alguém que se importa.


FRASE 02


As pessoas são diferentes porque todos nasceram para fazer algo especial e todos são iguais porque são diferentes. Por qual motivo adoramos colocar um padrão em tudo? Por que ser diferente é errado, se somos por essência tão diferentes?

Por deixarmos de dar valor as pessoas, acabamos não percebendo as coisas incríveis que cada um de nós faz ao longo dos dias. Não percebemos os talentos, não percebemos a força e a capacidade de unir que alguns têm. Não estou dizendo que as pessoas não tem defeitos, elas tem. Porém, as pessoas não são feitas só de defeitos. Adoramos crucificar as pessoas, mas odiamos aplaudi-las. 

Faça um exercício: Olhe para os seus amigos e busque enxergar neles o melhor que eles tem. Aquilo que você mais ama neles.

Essa semana parei para enxergar isso em alguns colegas de faculdade. Eles não são perfeitos, mas são extraordinários. Percebi que amo muitas coisas neles. Amo o jeito que um deles se importa e se mantém otimista. Amo que jeito que outro se faz ser ouvido. Amo o jeito que a outra abraça e faz as pessoas se sentirem importantes como de fato elas são. Mesmo sendo meio fechado e, às vezes, "bruto" na forma de se expressar, Amo o jeito que ele sorrir e demonstra carinho, humildade, empatia e companheirismo (do jeito dele). Todos eles merecem ser aplaudidos pelo menos uma vez na vida por essas coisas e por muitas outras que serão capazes de fazer. 

Mas e os defeitos? Acho que aqui reside o segredo: todos sempre terão defeitos, mas todos sempre serão especiais por alguma coisa.

FRASE 03


Tudo o que você faz diz muita coisa sobre o que você pensa, sobre o que você é, além disso diz muito sobre quem você pode vir a ser. Algumas vezes fazemos coisas que não refletem quem nós somos. Erramos feio com os nossos amigos. Tomamos atitudes erradas. Somos preconceituosos.

Contudo, mesmo errando podemos tomar outras escolhas e atitudes. Desta forma estaremos tentando de novo. Se magoamos alguém, por exemplo, temos duas escolhas: Deixar pra lá ou Tentar concertar as coisas. Aquilo que você fizer será um monumento erguido em seu nome e sobre você. 

Essa frase diz muito sobre as escolhas que fazemos, elas definirão tudo.  


Por fim,

Você pode achar que estou sendo otimista demais. Desculpe. Eu ainda acredito no ser humano, afinal Deus ainda acredita em nós. Me perdoe se essa justificativa não for suficiente para servir de argumento, mas é no que eu acredito. 

Quero construir um mundo melhor para outras pessoas extraordinárias que ainda estão por nascer.

Obrigado pela gentileza de ler estas palavras até aqui. Você é realmente extraordinário.

Por Jônatas Amaral

DESCONSTRUÇÃO


Existe certa beleza nos momentos de desconstrução da vida ainda que sejam processos dolorosos e nem um pouco fáceis. Há prédios que quando derrubados levam semanas para que seus cacos sejam retirados. Há destroços de casas que somem depois de alguns dias. Há pequenos casebres de madeira que são queimados sem muita dificuldade e em um dia só restam as cinzas mostrando que ali havia algo de valor. Não importa o tempo que leve, sempre há uma dor envolvida.

Contudo, existe uma beleza nesta dor. Você passa a encarar as coisas de forma diferente, com certo saudosismo que para o mais sãos possibilitam ver as lindas memórias construídas, ajudam a perceber que determinados alicerces não foram ladeira abaixo e por ali podem ser construídos outras novas edificações. Ajudam a perceber que havia caminhos que você desconhecia; ajuda-nos a ver o quanto amadurecemos desde a última queda.

Desconstruções são fases. Na verdade, tudo é uma questão de fases. A desconstrução é uma daquelas coisas da vida que podem nos deixar em cacos, mas que, em seguida, nos possibilitam reajuntar tudo e começar de novo. Acredito que esta é a maior qualidade da desconstrução: é o quanto ela nos ensina sobre o quanto temos uma segunda, terceira, quarta, quinta chance. Nos ensina a entender o valor de ter esperança no "seguir em frente". 

Por Jônatas Amaral

"Os 13 Porquês" de Jay Asher: Meu olhar sobre a importância desta obra.



Existem excelentes "porquês" para que você dedique tempo na leitura de "Os 13 Porquês" do autor norte-americano Jay Asher. O seu livro de estreia foi aclamado pelos principais setores de comunicação, além de render uma série da Netflix. Se você assim como eu assistiu primeiro a série, muito do suspense que o autor tenta criar não vai funcionar muito bem, porém você irá encontrar uma obra mais coesa e até mais coerente, na medida em que você terá informações advindas da série que poderão lhe ajudar a entender as entrelinhas desta história.

Fugindo um pouco das sinopses, afinal você já deve saber do que se trata esta história. Certo? Caso não, confira AQUI! Desta forma, prossigamos. Tratar de um tema tão tabu quanto suicídio não é fácil para ninguém, por mais bem intencionado que o autor seja. Por mais pesquisa que este se proponha a realizar. "Thirteen Reasons Why" não é o primeiro nem será o último livro a tratar sobre o tema, mas com toda certeza será um daqueles livros que uma geração vai lembrar com mais intensidade. Afinal, tanto o livro quanto a série são construídos de tal forma que te marca, seja pela reflexões, seja pelos temas, seja pelas cenas tão terríveis, porém reais. Um dos fatores mais interessantes deste livro é sua capacidade de saber deixar detalhes e cenas implícitas. As cenas de violência sexual, por exemplo, presentes no livro não são suavizadas, porém não são descritas. Isso é um detalhe que torna a obra inteligente, pois ela não sugere, ela deixa a informação adentrar no consciente do leitor de forma mais sutil. O acontecimento não deixa de ser forte ou menos real, ele só não é tão chocante para uma criança ou adolescente que possa ler a obra. Faz pensar, não aterrorizar.

A história por si só já é incômoda o suficiente, já que o personagem principal não pode fazer absolutamente nada para mudar. Não é uma questão de escute rápido, pois você ainda pode salvá-la. Não. Já aconteceu. Ela está contando as causas. Se você estivesse na pele do Clay provavelmente não saberia como agir. Um das coisas que mais me agradaram e incomodaram na escrita do autor quanto a isto foi a escolha de intercalar a fala de Hannah com os pensamentos e reações do Clay as fitas. No inicio é incômodo, mas com o tempo você se acostuma e entende. É algo também que pode forçar o leitor a ler mais atentamente, ainda que eu acredite que faltou em alguns momentos mais sensibilidade para essas inserções do Clay.

Muito já se escreveu sobre esta história ao longo deste ano, mas o que de fato sinto por esta obra é um apreço que já está além do âmbito emocional, mas permeia a responsabilidade e importância social que este livro possui, afinal para professores, como eu, este é um livro que abre perspectivas de diálogo com adolescentes (principalmente) não só sobre o suicídio em si, mas sobre machismo, bullying, violência sexual, além da importância da auto-estima e de sabermos com quem contar.


Acredito, aos meus 22 anos, professor, que o personagem contido na fita 13 - Sr. Porter - é o personagem sob o qual meus olhos mais se voltam, pois com ele eu me enxergo/identifico. Sou professor e almejo, também, ser orientador educacional. O que eu faria diante daquela situação? Como eu lidaria? O que eu faria? Entenda, são situações que você nunca vai saber exatamente como agir, mas que você não pode fingir que não pode fazer nada. A culpa que muitas vezes Hannah atribui aos destinatários de suas gravações está em dizer que estes precisam mudar, afinal não havia mais como ajudá-la. É algo pesado, não é mesmo? Complexo. Difícil até escrever sobre. Mas deixo aqui estas reflexões que me recaíram durante a leitura desta obra.

Por fim, gostaria de destacar o penúltimo capítulo que retrata o suicídio em si de Hannah Baker. A única coisa que se sabe é que a personagem usou de remédios para realizar seu intento. O capítulo em si não descreve absolutamente nada. É um capítulo em que você apenas observa o Clay ouvindo um chiado constante, até que, bem no final, temos a última fala de Hannah Baker, que é tocante e sensível. Assim como o final da história que mostra o que mudou em Clay depois daquela noite. Esta é a beleza e importância desta história. Nos fazer refletir sobre o que pensamos sobre as pessoas e o quanto nós, como seres sociais , temos impacto nas vidas um dos outros. Se permita refletir com este livro através das mensagens explicitas e, principalmente, as implícitas contidas nele.

Obrigado. 

Por Jônatas Amaral

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